João da Silva
O que é o espectro eletromagnético? O que o Pink Floyd tem a ver com isso?
Se você gosta um pouquinho de rock, você certamente já ouviu falar sobre o Pink Floyd. Mas porque nós estamos falando sobre uma banda de rock progressivo em um blog de sensoriamento remoto? Justamente porque a capa de um dos álbuns de maior sucesso da banda tem nosso objeto mais importante de estudo!

Isto mesmo, a capa do álbum “The Darkside of the Moon” traz exatamente a luz branca sendo dividida em faixas de cores, algo que nós conhecemos como espectro eletromagnético.

O espectro eletromagnético é o intervalo completo de todos os comprimentos de onda conhecidos, que vão desde os raios gama até as ondas de rádio. Nós, seres humanos, enxergamos apenas uma faixa do espectro de luz, chamada visível, que está entre o comprimento de onda de 0,38 µm a 0,76 µm, sendo este o intervalo das cores do violeta ao vermelho, passando por todas as cores, conforme a imagem. O infravermelho próximo vai de 0,76 µm a 1,2 µm. O infravermelho de ondas curtas vai do comprimento de onda de 1,2 a 3 µm e o infravermelho médio de 3,0 µm a 5,0 µm. Por fim, temos o infravermelho termal que vai de 5 µm a 1 mm. Todas essas divisões do espectro eletromagnético recebem o nome de bandas espectrais e são as mais utilizadas no sensoriamento remoto.
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Os sensores a bordo dos satélites captam a reflectância dos alvos para cada banda espectral e geram imagens multiespectrais e hiperespectrais que são a base do sensoriamento remoto. Portanto, para analisar as imagens resultantes do sensoriamento remoto, é fundamental compreender o espectro eletromagnético e as características de cada banda espectral.

A história conta que os comprimentos visíveis do espectro eletromagnético foram descobertos por Isaac Newton, em 1704. Através de um prisma de vidro, ele mostrou que é possível separar as faixas constituintes da luz solar (branca) em outras faixas de cores. Mais ou menos como mostra a capa do álbum da banda Pink Floyd. Num segundo momento, usando outro prisma (invertido em relação ao primeiro), Newton mostrou que é possível juntar as cores novamente para reconstituir a luz branca.

Em 1800, William Herschel complementou a descoberta de Newton demonstrando a existência de faixas invisíveis do espectro. Em um de seus experimentos para determinar a temperatura das cores do espectro, ele percebeu a existência de radiação em áreas que não são visíveis ao olho humano, nomeando esta radiação de “raios caloríficos”. Ela foi depois renomeada de radiação infravermelha.

Tudo bem, já entendemos o que é espectro eletromagnético, mas como a capa do Pink Floyd entra nesta história toda? Para entender isso precisamos conhecer o estilo da banda e seu contexto histórico. O rock progressivo é um estilo musical que surgiu na Inglaterra, na segunda metade dos anos 60, buscando uma fusão da música pop e do rock com outros gêneros de harmonia mais complexa. As composições misturavam diversos estilos musicais e exploravam a revolução tecnológica que ocorria nos estúdios de gravação. O som progressivo ultrapassava os outros estilos da época em músicas com longos trechos instrumentais, muitas vezes compondo os chamados “álbuns conceituais”. A banda Pink Floyd foi uma grande representante deste estilo musical.
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Assim, em seu álbum “The Dark Side of the Moon” lançado em 1973 (dono da capa que nós amamos), a banda ganhou destaque no cenário mundial, indicando uma nova fase em suas composições, com letras mais pessoais e instrumentais menores, trazendo alguns dos mais complicados usos dos instrumentos e efeitos sonoros existentes na época. As letras eram uma crítica à dificuldade pela qual a banda vinha passando em frente à cobiça das gravadoras da época e à saída de Syd Barrett. A capa foi desenvolvida para simbolizar a complexidade que o som da banda escondia por trás de sua aparência simples, por isso o prisma sendo atingido por um feixe de luz e se transformando em um arco-íris (basicamente o que Newton fez em 1704).

Você, já ouviu outra explicação para a capa desse álbum? Ou tem outra teoria? Conta pra gente.

Recapitulando então, o que nós vemos na capa do álbum é o espectro eletromagnético, que aos nossos olhos pode ser simples, mas que é fundamental para diversos processos biológicos e é a base para a maioria dos estudos em sensoriamento remoto.

Gostou de entender um pouquinho mais sobre o espectro eletromagnético? E sobre o Pink Floyd? Difícil não gostar, não é mesmo? Para saber mais sobre sensoriamento remoto (e música) você já sabe: Espectro Blog.


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